Dia primeiro de fevereiro,
sábado, fui convidada por uma amiga muito querida para sairmos à noite e após
muitos meses em casa, resolvi aceitar e fazer um teste desta minha “nova fase”.
Arrumei-me e como não estou no melhor dos meus momentos, resolvi vestir um
short e regata (a minha vibe pede algo mais simples) e pela primeira vez na
vida, resolvi usar um salto alto. Próxima parada, Rua Augusta e a primeira vez
que iria à Outs. Pessoas modernas, vestidas em “panos de marca”, bebidas,
beijos e muito, muito barulho.
Infelizmente, alguns
imprevistos ocorreram e a minha amada não pôde comparecer e coisas foram
acontecendo e, realmente, aquele “rolê” não era para mim e resolvi voltar para
casa.
Já na volta para casa, fui
OBRIGADA – exatamente em caixa alta – a escutar uma dezena de barbáries até o
metrô Anhangabaú – GOSTOSA, LINDA, FIUFIU e até que eu era feia escutei e sem
falar nos poucos transeuntes que me abordaram tentando me tocar ou vindo com
insinuações – todas em grupo, detalhe.
Após uma série de pedradas
na alma e chateação, cheguei ao metrô e mal sabia eu que a surpresa viria há
algumas estações. Quando chegamos à estação Brás, o meu problema começou.
Entraram três rapazes no vagão – bem aparentados, bêbados, “ostentando” e
falando coisas impublicáveis aqui, e um deles, até bem “apessoado” começou a
falar em alto e bom som, sobre uma mulher que passou a noite com ele. Enquanto
estava com a cabeça baixa, próxima à porta bem quieta e na minha, mexendo no
meu celular e respirando fundo, quando justamente este cara que falava mal
quando justamente, este cara que estava falando da moça me viu e começou a
questionar do meu piercing nos lábios e veio com graça para o meu lado. Apenas
fui firme e disse a ele “eu te conheço?” e para que eu fui falar isto. Comecei
a ser encarada como se fosse um pedaço de carne na vitrine de um açougue.
Olhares maliciosos, como se a qualquer momento, eu fosse a próxima
"vítima” deles. Quando um deles veio próximo a mim e veio me pedir
desculpas e quase me tocou. “Vem cá, eu te conheço? Não me toque” foi a “cereja
em cima do bolo” para que as coisas piorassem.
Eles foram chegando mais perto e as pessoas DENTRO DO VAGÃO não fizeram absolutamente nada. Tive que me defender e eles desembarcaram no metrô Belém e ainda tive que escutar uma garota idiota dentro do vagão que deu risada e tive que me segurar para não quebrar a cara dela.
Você sabe o que me deixou
estressada e triste nesta confusão toda? A falta de respeito e quando falo de
respeito, não cito apenas estes três imbecis que me magoaram e me deixaram
péssima pelo resto da noite, mas sim a falta de respeito da sociedade num
geral, principalmente com as mulheres.
Agora é moda falar que toda
mulher que se veste de um jeito X é periguete, é vagabunda, é “cachorra” e mais
outras “pérolas” impublicáveis aqui. Está calor e a garota está usando algo
mais curto ou mais justo, é biscate. A mulher aqui no Brasil ela não pode se
vestir como ela gosta, mas sim como a sociedade acha “correto”. Agora a
pergunta que faço é, se estas mesmas pessoas que chamam uma mulher de “vadia”,
“puta”, “rodada” vai pagar as contas alheias no final do mês? A partir do
momento que nós trabalhamos 30 dias, temos o direito de comprar o que quiser,
nos vestirmos como nos convém e se roupa mostrasse o caráter mesmo, teria gente
ai muito bem vestido, que estaria ferrado. Em segundo lugar, COMO as pessoas
são um bando de cocô.
Na hora de ir à igreja, pregar, dizer que é bom, solidário entre outras ladainhas, todo mundo fala, agora quando a coisa é na prática...cadê? Apesar que hoje em dia, se você disser um “Olá” um pouco mais frio, é motivo para se tomar um tiro na boca, para você vê como a situação anda.
Estou cansada de mostrarem a mulher como se fossem um nada, que ela precisa ser a “perfeição” e, infelizmente isto, tem tirado a vida de algumas delas de forma indireta e querem um exemplo? A ditadura da beleza – talvez tema para um futuro texto ou não.
Está faltando a estas mesmas pessoas, que de dizem “humildes”, “honestas” “corajosas” e enfim que sejam um pouco mais solidárias: façam jus aos que você dizem ser e, ajudem o seu próximo – há violência? Sim, mas você deixar o seu próximo se ferrar por outra coisa, é inaceitável. Mesmo que não seja o seu próximo: ajude.
O seu amado "DEUS" pede para que você ajude ao seu semelhante, então se você se DIZ religioso, preste melhor atenção neste livro, que supostamente, há verdades e que ninguém morrerá se aplicar em seu dia-a-dia.
Nós muitas vezes vemos as
coisas e jamais imaginamos que ela, alguém dia, podem vir de acontecer de uma
forma que nós menos esperamos e o fato que narrarei acima foi uma coisa que me
deixou extremamente pensativa, para baixo e tive vários flashbacks.
Está na hora de cada um
pensar: quem sou eu?
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